Testes de campo comprovam relação entre velocidade alta e gravidade dos acidentes

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Foto: Hully Paiva/Secretaria Municipal de Comunicação Social
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Uma velocidade maior no trânsito leva a um tempo maior entre o início da frenagem e a parada total do veículo. Para comprovar este argumento, a Prefeitura de Curitiba realizou testes de campo em parceria com o professor Jorge Tiago Bastos, integrante do Departamento de Transportes e do Centro de Estudos em Planejamento e Políticas Urbanas da Universidade Federal do Paraná.

A proposta integra a programação municipal para este Maio Amarelo, movimento internacional de conscientização para redução de acidentes de trânsito, em uma ação coordenada entre o poder público e a sociedade civil. Na edição 2021, o lema é “Respeito – Pratique no trânsito”.

“Velocidades mais elevadas aumentam as distâncias necessárias para a frenagem e, em caso de impacto com objeto fixo, aumentam também as chances de ferimento dos ocupantes do veículo. Principalmente em áreas urbanas, o excesso de velocidade é fator fundamental para o risco e severidade dos atropelamentos”, conclui o pesquisador, doutor em Engenharia de Transportes.

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Os testes de frenagem aplicados a velocidades diferentes – a 30 km/h, 40 km/h, 50 km/h e 60 km/h – ajudam a comprovar na prática a teoria da conhecida Curva de Ashton, que calcula a probabilidade de lesão fatal em colisão envolvendo veículo e pedestre. “Um pedestre atropelado a 60 km/h apresenta um risco de morte de 80 a 100%, a depender de sua condição – idosos e crianças têm maior risco”, explica o professor.

Essas diferenças na distância de frenagem podem ser decisivas, tanto para a ocorrência de um atropelamento quanto para a sua gravidade, reforça Bastos. “A 50 km/h, por exemplo, o risco de morte de um pedestre atropelado é em torno de 50%”, acrescenta ele.

Bastos defende que reduzir os limites de velocidades e fiscalizar essa prática é uma política fundamental a ser adotada pelos municípios. “Um estudo australiano mostra que os condutores em áreas urbanas economizam apenas 26 segundos por dia ou 2 minutos por semana com o excesso de velocidade, justamente devido às várias limitações do ambiente urbano, como semáforos, outros veículos, pedestres e ciclistas. Portanto, exceder a velocidade em áreas urbanas não vale a pena”, afirma.

Resultados do teste

Para a execução do teste, a equipe da Superintendência de Trânsito demarcou um ponto de início da frenagem, onde o condutor colocava o pé no freio, e marcou as distâncias de frenagem até a parada total do veículo a 30km/h, 40km/h, 50 e 60 km/h.

A cada 10 km/h a mais acrescentados à velocidade de 30 km/h inicialmente aplicada, a distância de parada praticamente dobrou. “A 30 km/h, o carro freia na nossa marca de início e para a uma distância de 2,5 metros. A 40km/h, essa distância é praticamente o dobro: 5 metros. A 50 km/h, a distância que anteriormente era de 5 metros passa a praticamente 10 metros. E a 60 km/h essa distância é igual a cerca de 14 metros”, apresenta o professor.

Após análises técnicas, a Superintendência de Trânsito tem alterado o limite de velocidade em diversas ruas da cidade. Saiba mais aqui.

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