Retomada das viagens e turismo será acompanhada por intensa digitalização

Segmento está sendo fortemente impactado pela digitalização de hábitos, como já ocorre com o comércio, os serviços bancários, e em franca ascensão na educação e saúde, por exemplo

148
Celular Escritório
Foto: Divulgação/Pixabay
Publicidade

Telemedicina, ensino remoto, Pix, comércio on-line, videochamadas… Expressões como estas foram definitivamente incorporadas ao vocabulário cotidiano de um ano para cá, desde que a pandemia de Covid-19 acometeu o mundo e impôs isolamento social e distanciamento físico. Mesmo para aqueles segmentos que chegaram a paralisar totalmente, e que ainda sofrem impactos, a digitalização se mostra muito mais que alternativa: é imprescindível.

Um exemplo ocorre com as atividades de viagens – sejam as de lazer, sejam as corporativas. Nos meses iniciais da pandemia, aeroportos, rodoviárias e estradas vazias compunham o cenário que ilustrava o baque. Pouco a pouco, os deslocamentos foram retomados. De maio de 2020 a janeiro de 2021, o índice de atividades turísticas medido pela Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acumulou avanço de 122%.

É verdade que, para voltar a patamares de fevereiro de 2020, portanto anteriores à pandemia, ainda é necessário um salto de 42%, segundo apurou o próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Conforme explica, à Agência IBGE, o pesquisador Rodrigo Lobo, as atividades de viagens e turismo refletem o movimento de outros segmentos, como transporte de passageiros, restaurantes, hotéis, entre outras prestações de serviços. “O crescimento ainda está distante de voltar ao patamar de fevereiro, mas dá um pequeno passo adiante”, aponta.

Publicidade
Marcelo Linhares
Marcelo Linhares, CEO da Onfly (Foto: Divulgação)

A retomada das atividades de viagens e turismo será acompanhada de uma disruptura provocada pela indispensável digitalização. Quem traça a projeção é o empreendedor Marcelo Linhares, fundador e CEO da Onfly, startup de gestão 100% digital de viagens corporativas. Depois de registrar faturamento de R$ 8,5 milhões em 2020, para este ano a expectativa é crescer cinco vezes.

A projeção é ousada, mas realista. A aposta é na retomada do segundo semestre. A incorporação, por parcela considerável de pessoas e organizações, de hábitos digitais é o que faz o empresário enxergar um horizonte promissor para a Onfly e negócios congêneres. É por meio das tecnologias da informação, aliás, que o setor de viagens e turismo sustenta a gradativa recuperação nos últimos meses, observa Linhares.

“A ‘baixa’ nas atividades de viagens e turismo, e em outros setores da economia também, foi o momento para muitas empresas revisarem processos, buscando entender como torná-los mais eficazes e eficientes. E, então, naturalmente, a incorporação de soluções em tecnologia acabou sendo um caminho”, afirma o executivo.

Linhares acrescenta: no pós-pandemia, “os hábitos vão ser ainda mais ‘digitais’”. Cita como exemplo desde procedimentos mais simples – como a aquisição de passagens ou o pagamento da estadia no hotel – até, por parte das organizações, a busca por gestões de viagens corporativas desburocratizadas, mais digitais e automatizadas.

Existe um hiato enorme na experiência e na digitalização entre a compra de uma passagem a lazer e uma passagem a trabalho por exemplo, e colaboradores não estão tolerando mais processos manuais e lentos, e acabam exigindo das empresas processos mais ágeis e digitais”, compara.

DIGITALIZAÇÃO DE VIAGENS EM EMPRESAS

Hidrogeron
Hidrogeron, no Paraná (Foto: Divulgação)

A necessidade de digitalizar para agilizar os processos de viagens corporativas pode ser ilustrada pelo caso do Grupo Hidrogeron, especializado em serviços de tratamento de água e esgoto. Com sede em Arapongas, no Paraná, o grupo atende clientes em todas as regiões brasileiras. Por se tratar de prestação de serviços essenciais, a empresa (com exceção dos primeiros meses da pandemia) precisou manter viagens corporativas, ainda que em escala menor que em condições normais.

E foi nesse período que o grupo optou por contratar a Onfly para cuidar da gestão das viagens dos colaboradores, conforme conta a sócia Carolina Santos, que responde também pelas diretorias de Recursos Humanos e de Marketing da Hidrogeron. A procura, desde o início, foi por uma solução em Tecnologia da Informação, “para reduzir o tempo entre orçamentos e a aprovação das passagens, além do benefício da prestação de contas sair do papel e ficar digitalizada de uma forma bem prática.”

Antes, narra ela, trâmites e prestação de contas eram “no papel”. Isso representava empecilhos à gestão financeira da empresa. “Até o técnico de campo voltar [da viagem], organizar os documentos, enviar, etc, atrasava, prejudicando o acompanhamento dos indicadores financeiros. Hoje a prestação é em tempo real. Assim, o [setor] financeiro faz um monitoramento mais assertivo.”

Com a digitalização desses trâmites, o funcionário despende bem menos tempo com esses procedimentos – podendo se concentrar na sua atividade finalística. Quando está com dúvidas ou precisando de orientações, o atendimento remoto supre a necessidade de maneira ágil. “O técnico de campo aprovou, pela facilidade [que a gestão digitalizada das viagens] trouxe”, sublinha Carolina Santos.

Marcelo Linhares, da Onfly, destaca o quão fundamental é para uma empresa dispor, neste momento de preparação para retomada, de dados analíticos e gerenciais sobre viagens corporativas, de maneira precisa. São as soluções em tecnologia da informação – para controle de compra de passagens, reservas de hotéis, aluguéis de carros, controle de adiantamento e de reembolso de despesas, entre outras particularidades, sempre olhando a jornada inteira do viajante e dos gestores da empresa – que viabilizam essa gestão em tempo real.

PAUTA PRIORITÁRIA

Para Linhares, empreendedores, executivos, gestores e colaboradores devem colocar a transformação digital como pauta prioritária em suas atribuições. “Cada um precisa fazer a sua parte”, orienta, sob risco de o profissional e a empresa se tornarem anacrônicos – e, por consequência, ficarem à margem do mercado.

“Ainda vejo algumas premissas equivocadas, em especial no setor de viagens e turismo, negando a digitalização. Premissas que não se confirmam nos fatos concretos. Estão aí as plataformas duplicando de tamanho. Todos os setores serão transformados pela digitalização, ou o profissional muda, se adapta, ou perde espaço”, adverte o CEO da Onfly.

Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui