O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Município de Curitiba firmaram nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, um protocolo de intenções para estruturar um projeto de modernização da infraestrutura urbana da capital paranaense. O projeto inclui a implantação de 120 km de redes subterrâneas de energia elétrica e telecomunicações, integrando soluções para cidades seguras e inteligentes. O investimento estimado ultrapassa R$ 1,2 bilhão.
Projeto de infraestrutura subterrânea e modernização urbana
A iniciativa prevê a criação de infraestrutura subterrânea compartilhada para redes de energia e telecomunicações, além da modernização e manutenção do cabeamento aéreo remanescente. Também contempla a ampliação de soluções tecnológicas voltadas à segurança e à gestão urbana, como videomonitoramento, sensores e sistemas integrados. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto visa evitar falhas e vulnerabilidades nos serviços de energia, iluminação pública e telecomunicações, além de promover segurança, reordenamento urbano e modernização da gestão com integração digital e soluções inteligentes.
Mercadante destacou os custos elevados que a cidade enfrenta por não enterrar a fiação, citando exemplos de outras capitais que sofreram longos períodos sem energia e internet devido a eventos climáticos. Ele ressaltou a necessidade histórica do projeto, que será acompanhado por um marco regulatório semelhante ao adotado no saneamento.
A etapa de estruturação avaliará aspectos técnicos, econômico-financeiros, jurídicos, regulatórios e institucionais para definir o modelo mais adequado. Serão considerados elementos como interfaces com concessões e contratos existentes, regulação dos setores elétrico e de telecomunicações e alternativas de participação da iniciativa privada.
Curitiba pioneira em mobilidade e modernização urbana
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, ressaltou que a cidade foi pioneira na introdução do BRT, ônibus por canaleta e biarticulados, tecnologias hoje adotadas em mais de 200 cidades no mundo. Ele espera que o projeto piloto entre a Prefeitura e o BNDES avance na regulamentação nacional e facilite investimentos para o enterramento de fios e cabos.
Mobilidade urbana estruturada pelo BNDES
Na quarta-feira, 19 de agosto de 2026, a Prefeitura de Curitiba publicou o edital de licitação para a nova concessão do transporte público coletivo, estruturada pelo BNDES. O Banco foi contratado pela Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), responsável pelo planejamento, gestão e fiscalização dos modais de mobilidade urbana.
A modelagem prevê concessões de 15 anos, divididas em cinco lotes, sendo dois estruturais (BRTs) e três regionais. O investimento total previsto é de R$ 3,9 bilhões. A nova concessão contempla ampliação e renovação da frota, maior oferta de ônibus com ar-condicionado, monitoramento por câmeras, ampliação da integração temporal e redução do tempo de deslocamento.
Está previsto o aumento gradual da eletromobilidade, com crescimento da frota elétrica de 7 para cerca de 250 ônibus em cinco anos. A meta é que aproximadamente um terço da oferta de assentos do sistema seja operada por veículos de emissão zero até 2031.
Financiamento para mobilidade sustentável em Curitiba
Mercadante destacou que os investimentos em transição energética na frota de Curitiba contarão com financiamento do BNDES. O Banco aprovou R$ 380 milhões para mobilidade sustentável na cidade, recursos provenientes do Fundo Clima destinados à aquisição de ônibus elétricos e à implantação de eletropostos públicos para recarga das baterias.
Segundo o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), realizado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades, a Região Metropolitana de Curitiba tem potencial para ampliar sua rede de transporte público de média e alta capacidade de 114 km para 206 km. A expansão projetada, com investimentos entre R$ 11,7 bilhões e R$ 22,7 bilhões, inclui projetos de metrô, VLT, novos eixos de BRT e extensão dos já existentes.