Nova concessão da Malha Sul pode ampliar integração logística no Paraná

A nova concessão da Malha Sul pode ampliar a integração logística no Paraná, com efeitos diretos na relação entre ferrovia e transporte rodoviário de cargas. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prorrogou até 30 de setembro de 2026 o prazo para contribuições ao projeto, que prevê a reorganização da ferrovia em três corredores, entre eles o eixo Paraná–Santa Catarina.

Com 1.502 quilômetros de extensão, potencial para movimentar 32,6 milhões de toneladas por ano e cerca de R$ 4,7 bilhões em investimentos previstos, o corredor deve atender principalmente cargas como grãos, açúcar, celulose, contêineres e fertilizantes. O eixo responde atualmente por cerca de 78% da movimentação da Malha Sul e mantém forte ligação com os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul.

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  • Ferrovia e transporte rodoviário de cargas no Paraná

    Para o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), uma ferrovia mais eficiente pode fortalecer toda a cadeia logística, especialmente ao ampliar as operações rodoviárias de primeira e última milha. Segundo o presidente da entidade, Silvio Kasnodzei, o avanço do trilho não elimina o caminhão, mas cria novas oportunidades de operação.

    “A ferrovia move grandes volumes entre pontos fixos. Ela não vai à porta do produtor rural nem à porta do cliente final. Portanto, mais carga no trilho significa, necessariamente, mais operação rodoviária nas pontas”, explica.

    Entre as oportunidades citadas pelo sindicato estão a alimentação de terminais, o transporte de contêineres entre indústrias e pátios ferroviários, a distribuição a partir dos pontos de desembarque e os serviços de armazenagem e transbordo.

    Investimentos além dos trilhos

    A entidade avalia, porém, que a integração depende de investimentos que vão além da própria ferrovia. Para o SETCEPAR, acessos rodoviários aos terminais, pátios de transbordo, áreas adequadas de espera e estacionamento para caminhões, contornos urbanos e sistemas eficientes de agendamento precisam acompanhar a modernização ferroviária.

    “Sem isso, o ganho de eficiência conquistado no trilho se perde na fila do portão”, destaca Kasnodzei.

    Mesmo com a ampliação da capacidade ferroviária, o sindicato considera que o transporte rodoviário seguirá com papel estrutural na logística do Estado, por causa da capilaridade e da flexibilidade. A complementaridade ganha relevância, sobretudo em um corredor que conecta polos produtivos do Paraná aos portos e depende da integração entre terminais ferroviários, centros de distribuição e diferentes origens e destinos das cargas.

    Na avaliação da entidade, o desafio não está em substituir um modal pelo outro, mas em melhorar a conexão entre eles. Terminais bem localizados, acessos adequados, redução de burocracias e maior previsibilidade operacional, segundo o SETCEPAR, são fatores essenciais para que rodovias e ferrovias funcionem de forma complementar e contribuam para a redução dos custos logísticos do Paraná.

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