A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) encaminha ofício à ANTT, TCU e Ministério dos Transportes para exigir esclarecimentos sobre a instalação dos pedágios eletrônicos no Estado. Também chamados de pórticos eletrônicos ou pedágio free flow, esses sistemas permitem a cobrança automática das tarifas, dispensando praças e cancelas. Câmeras e sensores identificam placas ou tags para realizar a cobrança.
Críticas dos deputados sobre o sistema Free Flow
Durante a primeira sessão plenária de 2026, dez deputados da base e da oposição destacaram problemas na implementação dos pedágios eletrônicos. Entre as principais críticas, apontam a discrepância entre a localização dos pórticos eletrônicos e as praças físicas, além dos impactos para moradores que podem pagar tarifa cheia em deslocamentos curtos. Usuários informam que a tarifa poderá ser integral, sem proporcionalidade ao trecho percorrido.
Impactos sociais e contratuais dos pedágios eletrônicos
Deputados também discutiram os efeitos para trabalhadores das praças de pedágio, que podem sofrer demissões com a adoção do sistema free flow. A instalação da tecnologia não constava no contrato firmado entre o governo federal e as concessionárias. Parlamentares ressaltam que o deslocamento dos pontos de cobrança, às vezes a até quatro quilômetros das praças físicas, visa apenas aumentar a arrecadação, o que consideram injusto.
Alterações no modelo de pedágio e consequências para a população
O Programa de Exploração da Rodovia (PER) define as condições técnicas para instalação das praças e pórticos, incluindo localização exata. A mudança para o sistema eletrônico carece de justificativa clara, segundo deputados. Cidadãos que antes não pagavam pedágio em pequenos trajetos passarão a ser cobrados. Em Rolândia, por exemplo, a praça foi deslocada para captar o tráfego local, aumentando a receita e reduzindo despesas.
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Reações dos parlamentares e posicionamento do governo
Deputados como Evandro Araújo, Luiz Claudio Romanelli e Delegado Jacovós criticam a antecipação dos pórticos eletrônicos para locais que oneram moradores e trabalhadores. O deputado Bazana destaca a situação dos municípios do Norte do Paraná. O líder da oposição, Arilson Chiorato, denuncia que os contratos foram firmados na gestão anterior e que deputados que apoiaram a adesão agora se opõem à implementação.
O líder do governo na Alep, Hussein Bakri, informa que o tema recebe atenção prioritária do Executivo. O secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, mantém diálogo com a empresa responsável. O governo estadual posiciona-se contra o procedimento, considerando-o lesivo aos interesses públicos, mas ressalta que a decisão cabe à ANTT.
Mobilização parlamentar contra alterações irresponsáveis nos pedágios eletrônicos
Deputados Marcelo Rangel e Ney Leprevost pedem que a Comissão de Obras, Transporte e Comunicação oficie e acompanhe o tema, realizando audiências públicas e cobranças. A Assembleia Legislativa do Paraná demonstra empenho em fiscalizar e garantir que a implantação dos pedágios eletrônicos respeite os direitos dos cidadãos e trabalhadores, evitando prejuízos sociais e econômicos.
Conclusão
A discussão sobre os pedágios eletrônicos no Paraná evidencia a importância do debate transparente e da fiscalização rigorosa. A Assembleia Legislativa atua para garantir que a implantação do sistema free flow ocorra com responsabilidade, respeitando contratos e minimizando impactos negativos para moradores e trabalhadores. A cobrança automática deve trazer agilidade, mas não pode resultar em injustiças ou perdas de empregos sem justificativas claras e diálogo com a população.
