Saques de carga nas rodovias do Paraná: queda, riscos e impactos sociais

Os registros de saques de carga nas rodovias federais que cortam o Paraná apresentaram redução de 15% entre 2024 e 2025, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em 2024, contabilizaram 217 ocorrências, enquanto em 2025 o número caiu para 184 casos. Apesar da diminuição, a média ainda indica uma ocorrência a cada dois dias no estado, mantendo o alerta sobre a prática criminosa.

Entendendo os saques de carga e sua tipificação legal

Embora o termo saque de carga seja amplamente utilizado, a legislação brasileira não tipifica esse crime especificamente. A PRF explica que as ocorrências enquadram-se como furto, quando não há violência ou grave ameaça, ou como roubo, nos casos em que esses elementos estão presentes. O policial rodoviário federal André Filgueira destaca que o saque de carga configura uma prática ilegal, pois as mercadorias possuem proprietários e fazem parte de uma cadeia logística formal, envolvendo empresas e transportadores autônomos.

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  • Atuação de grupos organizados nos saques

    Parte considerável dos saques de carga conta com a participação de grupos organizados, que mantêm redes de informação específicas para essa prática criminosa. Mesmo com a redução dos casos, a PRF considera que o crime permanece recorrente no Paraná devido à atuação desses grupos, que dificultam o combate efetivo e aumentam os riscos nas rodovias.

    Impactos dos saques de carga na sociedade e na economia

    Além do impacto direto na segurança viária, os saques de carga provocam reflexos negativos em toda a sociedade. Esse tipo de crime eleva os custos do transporte, encarece seguros, exige investimentos maiores em rastreamento e mudanças logísticas, comprometendo a capacidade de distribuição das empresas. Esses custos acabam repassados ao consumidor final, contribuindo para o aumento do custo de vida. Ademais, a concorrência sofre prejuízos, pois produtos de origem ilícita retornam ao mercado, afetando principalmente pequenos comerciantes que atuam de forma regular.

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    Casos recentes de saques de carga nas rodovias do Paraná

    Na manhã de 21 de janeiro de 2026, um incêndio em um caminhão na BR-376, em Guaratuba, provocou bloqueio total da rodovia. Parte da carga, composta por cerveja, foi saqueada antes da chegada das equipes de atendimento, configurando crime. O caminhão parou no km 668, no sentido Santa Catarina. A interdição durou cerca de duas horas, e o tráfego foi normalizado posteriormente, embora motoristas enfrentassem lentidão e congestionamento de até 15 quilômetros. As chamas destruíram o cavalo mecânico, mas não atingiram outros veículos, e não houve feridos.

    Outro episódio grave ocorreu na BR-116, em Campina Grande do Sul, após uma tentativa de assalto que resultou em um acidente com seis mortos e 16 feridos. Criminosos armados interceptaram um caminhoneiro e o obrigaram a retornar pela rodovia no sentido Curitiba. A empresa de monitoramento acionou o bloqueio mecânico do caminhão à distância, levando os suspeitos a abandonarem o veículo. Antes de fugir, libertaram o motorista e soltaram o freio de mão, fazendo o caminhão descer a rodovia de ré e colidir com uma van que transportava 21 pessoas. As vítimas fatais retornavam para Campo Largo após participarem de um culto religioso em São Paulo.

    Prevenção e segurança contra saques de carga nas rodovias

    André Filgueira orienta que empresas invistam na prevenção de acidentes e no reforço da segurança das cargas. Sistemas de trancamento e proteção reduzem as oportunidades para a ação criminosa nas rodovias federais do Paraná. A PRF alerta que, além de colocar vidas em risco, crimes como roubos e saques de carga atrasam o atendimento a vítimas, aumentam o risco de novos acidentes e ampliam os prejuízos econômicos.

    Conclusão

    Apesar da redução de 15% nos saques de carga nas rodovias federais do Paraná entre 2024 e 2025, o crime permanece recorrente e perigoso. A atuação de grupos organizados, os impactos econômicos e sociais, além dos riscos à segurança viária, exigem atenção constante das autoridades e investimentos em prevenção. A segurança das cargas deve ser prioridade para minimizar prejuízos e proteger vidas nas rodovias do estado.

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