Prefeitura publica edital da nova concessão do transporte coletivo em Curitiba

A Prefeitura de Curitiba publicou, em 19 de agosto de 2026, o edital da nova concessão do transporte coletivo da cidade. O processo visa modernizar o sistema com integração temporal entre todas as linhas, eletrificação da frota, novas rotas e melhorias na eficiência e qualidade do serviço. As propostas devem ser entregues no dia 17 de novembro, das 10h às 12h, na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), localizada na Rua XV de Novembro, 275, no Centro de São Paulo. O leilão está previsto para 26 de novembro, às 10h, também na B3.

Transporte coletivo: nova concessão e modernização do sistema

O edital foi publicado após autorização da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) e elaborado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), com análise prévia do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) e participação da população em audiências públicas presenciais e online. O prefeito Eduardo Pimentel destacou a importância do edital para a modernização do transporte coletivo, com foco na melhoria do serviço, ampliação da frota elétrica, mais integração, mais linhas, conforto com ônibus silenciosos e ar-condicionado.

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  • Lotes e estrutura da concessão

    O projeto estabelece o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM), que substituirá os contratos atuais e dará continuidade à Rede Integrada de Transporte (RIT). O edital prevê cinco lotes de concessão, com investimentos estimados em R$ 3,9 bilhões e contrato de 15 anos. Dois lotes destinam-se às linhas estruturais (expressos, Linha Direta e Ligeirões): o BRT1, com 20 linhas na região Sul, e o BRT2, com 17 linhas nas regiões Norte e Oeste.

    As empresas vencedoras desses lotes também serão responsáveis pela limpeza, conservação e manutenção das estações-tubo, plataformas elevadas e eletropostos públicos. O modelo prevê a construção de dois eletropostos para recarga diurna dos ônibus elétricos, no Capão Raso e no Capão da Imbuia. Os outros três lotes terão caráter regional, com linhas alimentadoras, convencionais e atendimento próximo aos bairros. O lote Norte terá 100 linhas, o Sul 92 linhas e o Oeste 84 linhas.

    A concessão considera ainda a implantação futura do VLT Expresso Metropolitano, ligando o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, ao Centro Cívico de Curitiba a partir de 2031.

    Novas linhas e integração temporal

    O projeto prevê quatro novas linhas conectoras para melhorar a ligação entre regiões: Terminal Tatuquara – Terminal Carmo; Terminal Pinheirinho – Terminal Centenário; Terminal Portão – Terminal Capão da Imbuia; e Terminal Santa Felicidade – Terminal Bairro Alto. Também está previsto o retorno da linha Circular Centro, operada com ônibus elétricos comuns.

    Atualmente, o transporte coletivo de Curitiba atende cerca de 580 mil passageiros em dias úteis e 13,6 milhões por mês, com 302 linhas, 588 mil viagens mensais, 22 terminais de integração, 89 km de vias exclusivas e frota de 1.207 ônibus, incluindo 154 biarticulados.

    Uma das principais mudanças é a integração temporal irrestrita. Com o cartão-transporte da Urbs, o passageiro poderá trocar de ônibus em qualquer ponto de embarque, sem precisar ir a terminais ou estações-tubo, e sem pagar nova passagem dentro do tempo pré-estabelecido. A expectativa é reduzir em 4,7 pontos percentuais a quantidade de transbordos, além de proporcionar viagens mais rápidas e diretas.

    Transporte por demanda e frota elétrica

    O novo modelo abre espaço para testes de transporte por demanda, coordenados pelo município com participação das concessionárias e apoio técnico. O teste-piloto terá duração de 12 meses, utilizando nove micro-ônibus ou midi-ônibus, com possibilidade de agendamento por aplicativo e rotas dinâmicas conforme a demanda.

    Outro destaque é a eletrificação da frota, com a incorporação de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031, sendo 90 veículos no início da operação. A frota elétrica incluirá 141 biarticulados, 98 articulados, sete do tipo Padrón e quatro ônibus comuns. Aproximadamente um terço dos lugares ofertados será atendido por ônibus elétricos.

    A estimativa aponta redução de 28% no consumo projetado de óleo diesel (197 milhões de litros), 20% nas emissões de gases de efeito estufa e 88% de material particulado. Todos os ônibus elétricos terão ar-condicionado, que também será incorporado aos novos ônibus a diesel com tecnologia Euro 6. A previsão é que metade da frota esteja climatizada em 2031 e a totalidade em até 12 anos.

    Investimentos e remuneração

    Dos R$ 3,9 bilhões previstos, 96,75% destinam-se à frota e 3,25% à infraestrutura de recarga elétrica e novas estações-tubo. Nos primeiros cinco anos, os investimentos devem alcançar R$ 2,44 bilhões, principalmente para compra dos ônibus elétricos e implantação da estrutura de recarga. O projeto prevê subvenção municipal de R$ 893,6 milhões para aquisição dos ônibus elétricos e construção dos eletropostos.

    O custo global da prestação dos serviços é estimado em R$ 1,25 bilhão por ano, totalizando R$ 18,75 bilhões em 15 anos, incluindo custos operacionais e investimentos.

    A nova concessão separa a arrecadação das tarifas da remuneração das empresas, alinhada ao Marco Legal do Transporte Público. Isso permite ao município manter política tarifária equilibrada, considerando modicidade, oferta e capacidade fiscal para subsídios. A remuneração será calculada mensalmente pela Urbs com base em quilometragem, horas operadas, quantidade de veículos, infraestrutura, investimentos, descontos ofertados e desempenho operacional.

    Garantias e controle de qualidade

    O modelo prevê garantias financeiras para as concessionárias, incluindo contrato de administração de contas e uso de parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como garantia para obrigações do município. O contrato terá revisões a cada três anos para avaliação econômico-financeira.

    Será criada uma matriz de riscos para definir responsabilidades entre concessionárias e município. As empresas vencedoras deverão constituir Sociedades de Propósito Específico (SPEs) para execução dos contratos.

    O edital estabelece sistema inédito de controle de qualidade, avaliando dez indicadores como reclamações, satisfação, sinistros, confiabilidade, irregularidades, estado dos veículos, cumprimento das viagens, uso correto da tipologia e pontualidade. Nos lotes estruturais, também será avaliada a conservação da infraestrutura. O Índice de Desempenho Global (IDG), com nota de zero a dez, poderá impactar na remuneração mensal, com redução de até 3% em caso de resultado insuficiente.

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