Caminhão parado pode representar uma perda de faturamento entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil por dia, segundo levantamento da ANATC, e esse cenário tem levado transportadoras a buscar soluções para aumentar a visibilidade da frota e reduzir prejuízos.
Enquanto agentes de inteligência artificial avançam em diferentes setores, o transporte rodoviário ainda enfrenta um desafio básico: saber com precisão quais veículos estão aptos a operar. No Brasil, onde cerca de 65% de toda a carga segue por rodovias, a atualização das informações da frota se tornou decisiva para a eficiência logística, de acordo com dados citados no material da Gestran, empresa brasileira que desenvolve tecnologias para gestão de frotas.
Segundo Paulo Raymundi, CEO da Gestran, a qualidade dessas informações define a capacidade de a tecnologia apoiar decisões em tempo real. “É esse tipo de informação que alimenta os agentes de inteligência artificial. A tecnologia só consegue apoiar decisões quando entende a realidade da operação. Recomendar rotas, redistribuir veículos ou antecipar gargalos depende da qualidade dos dados disponíveis sobre a frota. Se as informações sobre a disponibilidade dos veículos não refletem a realidade, qualquer recomendação parte de um cenário incompleto”, explica.
O executivo afirma que, hoje, muitas transportadoras já contam com rastreamento, sistemas de manutenção e controles operacionais. No entanto, esses dados costumam ficar espalhados em planilhas, aplicativos de mensagens e diferentes sistemas. “O gestor sabe onde está o caminhão, mas nem sempre sabe se ele está disponível para operar. O papel da tecnologia é conectar esses dados e transformar a disponibilidade da frota em um indicador de gestão”, destaca.
Disponibilidade da frota vira indicador estratégico
Raymundi aponta que a localização do caminhão, sozinha, não resolve o problema. Um veículo pode aparecer no mapa e, ainda assim, estar em manutenção, aguardando motorista, envolvido em sinistro, em reforma ou indisponível por outro motivo. Por isso, ele avalia que a indisponibilidade afeta toda a cadeia operacional, com perda de capacidade de atendimento, necessidade de remanejamento de cargas, atrasos, aumento do tempo ocioso e mais dificuldade para planejar escalas e rotas.
Para reunir essas informações em um único ambiente, a Gestran desenvolveu o módulo Disponibilidade da Frota. A ferramenta integra rastreamento, manutenção, ocorrências e comunicação para mostrar, em tempo real, quais veículos estão aptos para operar e qual é a capacidade operacional efetiva da frota.
“Esse conceito foi incorporado à plataforma da companhia por meio do módulo Disponibilidade da Frota. A tecnologia reúne informações que já fazem parte da rotina operacional da plataforma, como rastreamento, manutenção, ocorrências e comunicação, para mostrar, em tempo real, quais veículos estão aptos para operar e qual é a capacidade operacional efetiva da frota”, explica o CEO da Gestran.
Como a tecnologia organiza as informações da operação
De acordo com Raymundi, os dados informados pelos motoristas ao longo da viagem – como início da operação, abastecimentos, paradas, manutenções e outras ocorrências – são consolidados automaticamente e convertidos em indicadores da situação operacional de cada veículo.
“Sempre que um caminhão entra em manutenção, registra uma ocorrência ou se torna indisponível por qualquer motivo, seu status operacional é atualizado automaticamente, feita através das macros enviadas pelos motoristas, permitindo que a capacidade disponível da frota reflita a situação real da operação. Da mesma forma, quando o veículo retorna às condições de uso, ele volta a integrar a capacidade operacional disponível”, afirma.
Com essa consolidação, o gestor passa a acompanhar, em um único ambiente, a localização dos veículos, o status operacional de cada caminhão e a disponibilidade de oficinas e fornecedores de apoio. Assim, a empresa reduz o tempo necessário para avaliar ocorrências e tomar decisões.
O executivo também avalia que o modelo diminui a dependência de planilhas, ligações telefônicas e grupos de mensagens para atualizar as operações. “A tendência é que o gestor deixe de procurar informações e passe a receber respostas. A disponibilidade da frota é um dos primeiros indicadores a seguir esse caminho”, conclui.