TUPs impulsionam novos investimentos portuários no Sul e ampliam disputa logística

Os Terminais de Uso Privado (TUPs) ganham espaço no Sul do país enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul avançam com projetos bilionários e o Paraná ainda concentra a maior parte de suas operações em estruturas públicas. O movimento, segundo especialistas do setor, altera a disputa pela carga e pressiona o Estado paranaense a ampliar sua infraestrutura portuária.

De acordo com dados citados no material, cerca de 58% das operações portuárias brasileiras estariam hoje em terminais privados e 42% em estruturas públicas. No Paraná, porém, a proporção seria praticamente inversa: apenas 8% em terminais privados e 92% em estruturas públicas e áreas arrendadas, conforme afirmou o superintendente da FIEP, João Arthur Mohr.

  • Siga o Mobilidade Curitiba no X/Twitter: @MobilidadeCTBA
  • Quer anunciar? Impulsione sua marca! Saiba mais
  • Estados vizinhos aceleram investimentos em TUPs

    Entrevistados sobre o tema, os superintendentes e o presidente das três maiores entidades ligadas ao setor produtivo – FIEP, FAEP e Fecoopar – defenderam a necessidade de novos terminais privados para abrir outras frentes de escoamento no Paraná.

    Nelson Costa, superintendente da Fecoopar, afirmou que, além dos investimentos programados para o Porto de Paranaguá, a prioridade deveria ser a criação de novos portos. Ele citou projetos como o Porto de Guará, o Porto de Pontal do Paraná e o Porto de Itapoá, em Santa Catarina, como alternativas para o setor. “Nós precisamos ampliar a oferta de portos para embarque, isso é fundamental. Faz com que haja uma competição entre os próprios terminais, o que ajuda a reduzir o custo de logística”, disse.

    Já o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que o aumento da capacidade portuária seria o investimento estruturante mais importante para transformar o litoral paranaense. “O gargalo das exportações é extremamente limitante para qualquer desenvolvimento dos negócios. Na ponta final, o processo tem que fluir”, afirmou.

    Dados mais recentes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) indicam que a participação dos terminais privados é ainda maior quando se observa a movimentação de cargas: cerca de 65% da movimentação portuária nacional ocorre em TUPs. Para a agência, esses terminais ajudam a ampliar a capacidade logística, atrair investimentos e aumentar a competitividade brasileira no comércio exterior.

    O avanço também aparece nos números do governo federal. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos formalizou 25 instrumentos contratuais relacionados a TUPs, com R$ 9,23 bilhões em investimentos privados. Desse total, sete novos contratos de adesão somam R$ 5,81 bilhões.

    Paraná acompanha a expansão regional, mas busca alternativas

    Santa Catarina reúne alguns dos casos mais emblemáticos. Em agosto, o TGSC – Terminal de Granéis de Santa Catarina – recebeu autorização para entrar em funcionamento em São Francisco do Sul. O terminal será dedicado à exportação de granéis agrícolas e terá capacidade para movimentar até 6 milhões de toneladas por ano na primeira fase. A permissão foi concedida à Bunge Alimentos.

    O estado também avança com o Porto Brasil Sul, em fase de licenciamento ambiental, e com o Porto Itapoá, que já opera como Terminal de Uso Privado e passa por sucessivas ampliações. A Coamo, cooperativa paranaense, anunciou investimento de R$ 3 bilhões para construir um novo terminal privado em Itapoá, com três berços de atracação e capacidade prevista para 11 milhões de toneladas por ano.

    Segundo João Arthur Mohr, o movimento chama atenção porque uma empresa paranaense decidiu criar uma nova alternativa logística em Santa Catarina. Ele observou que Coamo e Bunge, em Paranaguá, movimentam quase 7 milhões de toneladas de cargas e deverão transportar volume semelhante em seus terminais privados catarinenses.

    O Estado catarinense também contabiliza outros ativos relevantes, como Portonave e mais investimentos em infraestrutura portuária. Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que Santa Catarina acumulava mais de R$ 5,3 bilhões em investimentos públicos e privados no setor. No mesmo ano, os portos catarinenses movimentaram 65,7 milhões de toneladas, alta de 4,78% sobre 2024.

    Rio Grande do Sul segue caminho semelhante. Em Arroio do Sal, o Porto Meridional foi autorizado como Terminal de Uso Privado e prevê investimento de cerca de R$ 1,3 bilhão para operar granéis sólidos, líquidos e gasosos, cargas gerais e contêineres. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o projeto deverá gerar mais de 2 mil empregos diretos e quase 5 mil indiretos.

    Outro projeto de grande porte é o da CMPC, que exige a implantação de dois novos terminais privados no Rio Grande do Sul, em Rio Grande e Barra do Ribeiro, com investimentos estimados em aproximadamente R$ 1,4 bilhão. A estratégia inclui integração entre indústria, transporte hidroviário e terminais marítimos, com redução de custos e ampliação da capacidade exportadora.

    Mesmo com a pressão regional, o texto destaca que Paranaguá segue entre os maiores e mais eficientes complexos portuários do Brasil. A discussão, porém, recai sobre a capacidade futura do Paraná para absorver novos investimentos privados e acompanhar o crescimento da produção e do comércio exterior.

    Em declaração recente, o vice-governador do Paraná, Darci Piana, afirmou que o novo porto de Pontal deverá receber investimentos de R$ 6 bilhões. “Ainda está sendo analisado em nível internacional qual a empresa que irá assumir o novo porto, que não será concorrente do Porto de Paranaguá e sim um complemento”, disse. Ele acrescentou que, por causa do calado de 18,5 metros, Pontal pode colocar o Paraná como referência na América do Sul no transporte marítimo.

    Ao final, especialistas defendem que ampliar a infraestrutura não significa competir com Paranaguá, mas complementar a capacidade existente, atrair investimentos privados, gerar empregos e evitar que oportunidades logísticas migrem para estados vizinhos. “Para o Paraná, portanto, a questão que se coloca não é apenas quanto o Estado movimenta hoje, mas quanto da expansão portuária e logística das próximas décadas será realizada dentro de seu território”, concluiu João Arthur Mohr.

  • Sua marca ao lado de quem informa a cidade em tempo real. Participe do Mobilidade 24 Horas!
  • Vai viajar? Economize 30% no seguro. Use o cupom TBTCOM30 e proteja sua viagem. Contratar agora!
  • Deixe um comentário