Os aeroportos da Grande Curitiba têm papel central na logística de transplantes de órgãos, em uma operação que depende de rapidez, precisão e integração entre equipes de saúde, forças de segurança, companhias aéreas e terminais aeroportuários. No Paraná, o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e o Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba, atuam como peças-chave nesse sistema que transforma doações em novas chances de vida.
Segundo o material divulgado, os dois terminais integram o Sistema Estadual e o Sistema Nacional de Transplantes, em conjunto com equipes médicas e a Casa Militar do Paraná. Além disso, ambos são administrados pela Asur Brasil e recebem missões com prioridade operacional quando o transporte de órgãos exige resposta imediata.
Bacacheri e Afonso Pena na logística de transplantes de órgãos
O Aeroporto de Bacacheri concentra parte importante dessa operação. Até 11 de setembro de 2026, o terminal já havia recebido 94 pousos com órgãos, o que representa 81% do total registrado em todo o ano de 2025, quando foram 116 pousos. Mantido o ritmo atual, a projeção aponta para cerca de 135 pousos em 2026.
O Bacacheri não opera voos comerciais regulares e é dedicado à aviação geral. Sua localização, próxima ao centro de Curitiba, ajuda a explicar a relevância em missões especiais. No local também funciona a Divisão de Transporte Aéreo da Casa Militar do Paraná, que participa da captação e do transporte de órgãos e equipes médicas.
Embora o funcionamento regular vá até as 22h, os procedimentos operacionais permitem a abertura do aeródromo durante a madrugada em missões de transporte de órgãos. Para Eduardo Schein, gerente do Aeroporto do Bacacheri, essa preparação faz diferença. “O transporte de órgãos exige uma operação diferente de um voo convencional. Existe uma janela de tempo que precisa ser respeitada e, por isso, o aeroporto precisa estar preparado para responder rapidamente. No Bacacheri, trabalhamos em conjunto com a Casa Militar, equipes médicas e demais órgãos envolvidos para garantir que a infraestrutura esteja disponível e que a missão aconteça com segurança e agilidade. É uma operação em que cada minuto pode fazer diferença para a vida de uma pessoa”, afirma.
No Aeroporto Internacional Afonso Pena, o cenário também revela a dimensão da operação. Em 2025, o terminal registrou 10 pousos com órgãos; até 11 de setembro de 2026, somava sete. Além disso, companhias aéreas como Azul, Gol e Latam transportam diariamente órgãos dentro dessa cadeia logística. Somados, os dois aeroportos contabilizaram 101 pousos com órgãos em 2026, contra 126 em todo o ano passado.
As missões de transporte de órgãos também têm prioridade operacional nos 17 aeroportos da ASUR Brasil, incluindo Afonso Pena e Bacacheri.
Conscientização, fila de espera e rede de transplantes no Paraná
O texto destaca ainda que o Paraná ocupa posição de liderança nacional em doadores de órgãos por milhão de habitantes. Em 2024, o estado registrou 42,3 doadores por milhão de população, mais que o dobro da média nacional, de 19,2.
Em 2025, o Paraná realizou 2.255 transplantes de órgãos e tecidos, incluindo 460 de rim, 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de medula. Já em 2026, o Hospital Angelina Caron contabiliza 34 transplantes renais, 24 de fígado, 20 de medula óssea e quatro de coração, entre outros procedimentos.
Além da operação aérea, o Aeroporto Internacional Afonso Pena também abriga uma ação de conscientização sobre doação. Em parceria com o Hospital Angelina Caron, o terminal recebe entre 21 de setembro e 21 de outubro a exposição “Histórias de Transplantes”, formada por 5 mil tsurus. A instalação, segundo o material, representa as mais de 5 mil pessoas que aguardam no Paraná por um órgão ou tecido para transplante.
O período da mostra dialoga com o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro. A proposta, de acordo com o texto, é ampliar a informação e estimular a conversa sobre doação dentro das famílias.
O gerente do Aeroporto Internacional Afonso Pena, Eden Pisani Junior, reforça essa função de aproximação com o público. Que, afirma.
Na avaliação de Dr. João Eduardo Leal Nicoluzzi, coordenador e chefe do Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron, a atuação da instituição também reflete uma trajetória consolidada. “É motivo de muito orgulho olhar para essa trajetória e para o que o Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron representa hoje para o Paraná. Esse reconhecimento foi construído ao longo de muitos anos, com dedicação, conhecimento e o trabalho de equipes altamente especializadas. Ser referência também nos traz a responsabilidade de continuar avançando, qualificando a assistência e estando ao lado de pacientes e famílias em um dos momentos mais importantes de suas vidas”, afirma.
As informações reforçam, portanto, que os aeroportos da Grande Curitiba cumprem função decisiva na rede que sustenta os transplantes no Paraná. Enquanto um terminal garante agilidade para missões fora do horário regular, o outro amplia o alcance do sistema ao integrar transporte aéreo comercial e ações de sensibilização sobre a doação de órgãos.