Curitiba ocupa a liderança entre as grandes cidades brasileiras no ranking de tempo perdido no trânsito. Motoristas da capital paranaense deixam de ganhar, em média, 135 horas por ano presos em congestionamentos durante os horários de pico. O especialista em trânsito Bruno Abner explica que o aumento da frota na cidade contribui para esse cenário.
Curitiba registra maior tempo perdido no trânsito entre grandes cidades
O índice de Curitiba supera o registrado em São Paulo, que aparece logo atrás com 132 horas anuais. Segundo o Censo 2022 do IBGE, São Paulo tem 11.451.999 habitantes, enquanto Curitiba possui 1.829.225 moradores, o que significa que a capital paulista tem cerca de 526% mais habitantes.
O avanço da frota ajuda a explicar a piora no trânsito curitibano. Dados do Detran-PR indicam que Curitiba ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1,8 milhão de veículos ativos em janeiro de 2026. Atualmente, a cidade possui 1.815.014 veículos registrados, entre automóveis, motocicletas, caminhonetes e utilitários.
Em comparação com janeiro de 2025, houve um crescimento de 10,4%, equivalente a mais de 170 mil novos veículos em apenas um ano. A proporção chega a 0,99 veículo por habitante, praticamente um carro ou moto para cada morador. Os automóveis representam a maior parte da frota, com mais de 1 milhão de unidades, seguidos pelas motocicletas, que somam quase 290 mil veículos.
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Medidas da Prefeitura para melhorar o trânsito
Para reduzir os impactos do trânsito, a Prefeitura de Curitiba aposta em tecnologia e obras de infraestrutura. Entre as medidas adotadas, destacam-se os semáforos inteligentes instalados em cerca de 1.300 cruzamentos da cidade.
Além disso, a administração municipal investe na revitalização de corredores viários, ampliação de faixas de tráfego e intervenções em pontos críticos, como nos bairros Jardim Botânico e Santa Felicidade. Outra estratégia utilizada nos horários de pico é a restrição de estacionamento em determinadas vias para ampliar temporariamente a capacidade de circulação de veículos.
O taxista Júlio Cesar Steniski relata que os congestionamentos ficaram mais frequentes, afetando diretamente o tempo de deslocamento e a rotina de quem trabalha no trânsito da cidade.
Segundo pesquisa, o congestionamento nas grandes cidades gera prejuízos às operações de entrega, resultando no aumento dos prazos e no encarecimento do frete.
A Superintendência de Trânsito informa que não teve acesso aos dados detalhados do Índice de Tráfego TomTom para uma análise técnica mais aprofundada. O cenário analisado considera percursos de 10 km que abrangem grande parte do território de Curitiba, cuja malha viária é formada majoritariamente por vias locais e coletoras, com velocidades reduzidas de 30 km/h e 40 km/h, resultando em velocidades médias menores, compatíveis com a segurança viária urbana.
Curitiba possui uma das maiores taxas de motorização do país, com frota superior a 1,8 milhão de veículos, sendo 60% automóveis de transporte individual. Para melhorar a fluidez e a segurança no trânsito, a prefeitura implantou tecnologias como semáforos inteligentes com sensores adaptativos e prioridade para ônibus biarticulados nos corredores de BRT.
Segundo o Censo, 27% dos curitibanos utilizam transporte coletivo para ir ao trabalho, índice acima da média nacional de 21%. Estudo do Instituto Cidades Responsivas apontou Curitiba como a segunda capital mais eficiente do país em deslocamentos por transporte coletivo.
A cidade mantém parceria com plataformas de navegação para monitoramento do trânsito em tempo real e segue investindo em mobilidade urbana por meio do programa PRO Curitiba, que prevê R$ 4,1 bilhões em obras de revitalização, infraestrutura e mobilidade até 2028.
