Planejamento, fiscalização e comportamento ao volante são fundamentais para reduzir riscos em trechos onde a configuração da rodovia foi alterada.
Uma obra na rodovia muda completamente a dinâmica de um trecho. Faixas podem ser estreitadas, o fluxo pode ser desviado, a velocidade reduzida e máquinas e trabalhadores passam a dividir o espaço próximo à pista. Para que essa operação aconteça com segurança, existe uma combinação que precisa funcionar: a sinalização implantada pela concessionária e a atenção de quem está ao volante.
Antes mesmo de o motorista encontrar cones, barreiras ou placas de advertência, existe um trabalho técnico de planejamento. A definição da sinalização considera fatores como o tipo de intervenção, a velocidade regulamentada, o volume de tráfego, a geometria da rodovia, a duração da obra e os riscos envolvidos para usuários e trabalhadores.
Caroline Sanders, engenheira civil da Via Araucária, reforça que a sinalização existente ajuda o motorista a ter tempo suficiente para perceber a mudança e adaptar sua condução. “O objetivo é garantir que o motorista perceba a obra com antecedência suficiente para reduzir a velocidade e realizar manobras de forma segura”, disse Caroline.
A sinalização temporária segue ainda as diretrizes dos manuais de sinalização e das normas de trânsito. Placas, cones, barreiras, painéis de mensagens e dispositivos luminosos são posicionados de maneira planejada para orientar o usuário ao longo do trecho.
Desafio na sinalização em rodovias
Um dos desafios está em garantir que essa comunicação funcione em diferentes condições. Chuva, neblina, período noturno e baixa visibilidade podem dificultar a percepção dos dispositivos e exigem cuidados adicionais. Por isso, são utilizados materiais refletivos, dispositivos luminosos e reforços de sinalização nos pontos considerados mais críticos.
A informação também precisa ser apresentada de forma progressiva e intuitiva, para que o usuário compreenda rapidamente o que deve fazer. “Outro desafio é tornar a comunicação clara para o motorista. A sinalização deve ser implantada de forma progressiva e intuitiva, evitando excesso de informações”, explicou Caroline.
Mas o trabalho não termina depois que placas e dispositivos são instalados. A Via Araucária realiza inspeções periódicas em campo para verificar se a sinalização permanece de acordo com o planejamento e em boas condições de funcionamento e visibilidade. O comportamento do tráfego também é observado. Ocorrências registradas pelas equipes de monitoramento e manifestações dos usuários podem indicar a necessidade de ajustes. Dessa forma, a sinalização pode ser aprimorada conforme as condições encontradas na operação.
O outro lado da segurança
Se a concessionária tem a responsabilidade de planejar, implantar e fiscalizar a sinalização, o motorista também desempenha um papel essencial. Ao encontrar uma área em obras, ele não pode conduzir como se estivesse em um trecho convencional da rodovia. “Em um trecho em obras, o motorista não pode dirigir como se estivesse em uma rodovia normal. A sinalização temporária existe porque a condição da via mudou”, destacou Ismael Pereira Pires, coordenador de Saúde e Segurança do Trabalho e Segurança Viária da Via Araucária.
Excesso de velocidade, mudanças bruscas de faixa, ultrapassagens indevidas, distância insuficiente do veículo da frente e desrespeito a cones e barreiras estão entre os comportamentos que aumentam o risco de sinistros. Também é fundamental evitar distrações, principalmente o uso do celular, e manter atenção redobrada diante da presença de trabalhadores, máquinas e veículos de serviço.
Alguns segundos podem fazer diferença
Em uma área de obras, uma decisão tomada em poucos segundos pode ter consequências graves. Manter velocidade elevada, tentar acessar uma área interditada ou ignorar uma alteração no fluxo pode colocar em risco não apenas o próprio motorista, mas também trabalhadores e os demais usuários da rodovia.
Ao identificar a sinalização de uma obra, a recomendação é simples: reduzir a velocidade, aumentar a distância de segurança, manter atenção ao fluxo e seguir rigorosamente as orientações indicadas. Em situações de chuva, neblina ou baixa visibilidade, o cuidado deve ser ainda maior. Também é importante estar preparado para eventuais paradas ou alterações repentinas no trânsito.
Para Ismael, a paciência é parte importante desse comportamento. “Tenha paciência: alguns minutos de atraso são muito menos importantes do que preservar uma vida”, completou o coordenador de Saúde e Segurança do Trabalho e Segurança Viária da Via Araucária.
Fábrica de placas
A Via Araucária tem sua fábrica para confecção de placas de sinalização. A estrutura funciona em Irati, na região central do estado, junto à base de conservação da concessionária. Cerca de 13 mil placas estão espalhadas por todo o trecho de concessão.
Placas em formato padrão, como de limite de velocidade, são produzidas em 40 minutos, enquanto placas com características especiais, como placas aéreas com grandes dimensões acima de 6 metros quadrados, podem levar até oito horas para ficarem prontas.
Considerando a manutenção das rodovias do trecho, a equipe tem capacidade para fabricar, em média, entre 50 e 60 placas por dia.