A frota elétrica cresce 90% no Brasil em ritmo acelerado, mas a expansão ainda esbarra em limitações de infraestrutura e em riscos associados à recarga em casa. É o alerta feito pelo engenheiro eletricista Andrey Nikollas Bucko, da PSMR, que recomenda usar a tomada doméstica apenas como última alternativa.
Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), mais de 200 mil carros 100% elétricos já circulam no país. Quando a conta inclui híbridos convencionais, híbridos flex e híbridos plug-in, a frota de veículos eletrificados supera 620 mil unidades. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, o mercado brasileiro vendeu 48.591 veículos eletrificados, volume 90% acima do registrado no mesmo período de 2025, quando foram comercializadas 25.544 unidades.
Infraestrutura de recarga ainda não acompanha o avanço
Apesar da expansão, a rede de recarga não cresce no mesmo compasso. A ABVE informa que o Brasil dispõe de 25 mil pontos públicos e semipúblicos para cerca de 506 mil veículos plug-in, o que representa aproximadamente 20 veículos por ponto de recarga. Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que alguns motoristas recorrem a soluções improvisadas, que podem comprometer as baterias, as instalações elétricas e os próprios veículos.
“O carregamento de um carro elétrico em uma tomada doméstica deve ser uma última alternativa, e não a solução principal para o dia a dia. Carregadores domésticos podem causar superaquecimento e incêndios, até porque a infraestrutura elétrica residencial nem sempre está preparada para suportar a demanda de energia. Os carros elétricos necessitam de estações próprias, pois trabalham com correntes altas”, alerta o engenheiro eletricista Andrey Nikollas Bucko, da PSMR, fabricante de tecnologias voltadas às instalações elétricas.
O especialista afirma que oscilações de energia podem danificar os componentes internos do carregador do veículo elétrico. Além disso, flutuações na tensão elétrica podem provocar falha prematura dos circuitos. Em situações de sobrecarga, a energia pode ultrapassar o carregador e atingir a bateria e os componentes eletrônicos do automóvel, o que reduz a vida útil e, em casos mais graves, compromete o funcionamento do veículo.
Como proteger a recarga doméstica de veículos eletrificados
Quando não houver outra opção, Bucko orienta garantir que a instalação elétrica esteja protegida por um Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS). O equipamento protege tomadas e aparelhos conectados contra picos de energia e descargas atmosféricas.
“O DPS funciona como uma barreira que detecta a sobretensão e a desvia rapidamente, impedindo que a alta tensão chegue aos equipamentos. Os DPS são a última linha de defesa”, explica.
O texto encaminhado destaca ainda que existem três classes de DPS – Classe 1, 2 e 3 -, com diferentes níveis de proteção. O Classe 1 costuma ser instalado na entrada da rede elétrica e tem a maior capacidade de absorção de surtos. Sua função é descarregar o excesso de potencial elétrico para o sistema de aterramento e proteger os equipamentos conectados à rede.
O dispositivo ajuda a mitigar efeitos de descargas atmosféricas, oscilações na rede e picos de energia, desviando o excesso de eletricidade para o terra e permitindo que apenas a tensão adequada chegue aos equipamentos. Segundo a PSMR, a linha de DPS da empresa tem fácil instalação e costuma ser aplicada em quadros de distribuição.
O alerta ganha relevância em meio ao aumento dos incêndios ligados a riscos estruturais e operacionais em instalações elétricas. No ano passado, o país registrou crescimento aproximado de 10% no número de incêndios em relação a 2024. O Anuário da Abracopel aponta que esses episódios refletem falhas estruturais, ausência de manutenção e deficiência na aplicação das normas técnicas, com perdas humanas e patrimoniais que poderiam ser evitadas.
A PSMR informa que oferece mais de 700 itens técnicos para distribuição, proteção e automação elétrica, além de contar com rede de revendas em todas as regiões do Brasil. Mais informações estão disponíveis no site da PSMR.